sábado, 14 de agosto de 2010
Colégio Campoos Monteiro -1939
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
MONCORVO ,ANOS CINQUENTA
quinta-feira, 29 de julho de 2010
VIAGEM DE ESTUDO
domingo, 25 de julho de 2010
Mais um livro da Júlia


« Este é um livro raro. (…)
‘Histórias de luta e de coragem’ contadas por mulheres da Marinha Grande e recontadas pela Júlia e pelo traço do Guilherme Correia; (…) contos ilustrados, tão belos e comoventes que podem parecer obra de imaginação, seguidos de um anexo documental que nos traz as fotografias, os postais, os recortes, os apontamentos, que dão cara e corpo e tempo e lugar às vidas das mulheres de que estes contos são feitos. (…) A opção formal pelo conto vem (…) sublinhar a importância central que teve o contar das mulheres na perpetuação de uma memória de luta e de resistência em quotidianos marcados pelas quebras de continuidade provocadas pelas prisões, pelas fugas ou pela passagem à clandestinidade. Durante o fascismo, (…) coube às mães, às tias, às avós, às irmãs mais velhas preservar a memória e narrar aos mais novos e às mais novas os exemplos de luta, resistência, coragem e dignidade dos seus homens e das outras mulheres. (…)
Um painel histórico, e político, e humano riquíssimo.»
Palavras de Graça Abranches, Professora da Universidade de Coimbra, sobre a primeira edição.
sábado, 24 de julho de 2010
HISTÓRIA POLÍTICA DE MONCORVO 1890 -1926
Caros colegas,
O António Júlio Andrade está a escrever a História Política de Moncorvo dos últimos anos da monarquia e durante a primeira república. Por que não colaborarmos todos, fornecendo-lhe os elementos que pudermos encontrar para ele ilustrar, compor, etc. esta obra? Naturalmente que é importante a identificação dos políticos que protagonizaram a história, dando de cada um deles uma nota, embora pequena (textos biográficos, fotos, ...) .
Podem contactá-lo por email: antonio.julio.andrade@gmail.com
Obviamente, no livro ficará expresso o agradecimento e menção da ajuda.
A lista das personagens é a seguinte:
Abel dos Anjos Castro Valente (padre).Abel Augusto Roque. Abel Olímpio, o Dente de Ouro.
Abílio Adriano de Sá. Abílio António de Campos. Abílio da Costa Pontes. Abílio Eugénio Pontes
Acácio Lopes Cardoso. Adriano Abílio de Sá. Adriano Augusto Guerra (padre)
Adriano Lopes Antunes. Adriano Marcolino de Almeida Pires. Albano Jesus Ferreira Mendes
Alípio José Alves (padre).Alfredo Ferreira Margarido. Alfredo Fontes. Alfredo José Durão
Álvaro César de Meireles.Álvaro Machado.Antero Adelino de Sá. Antero Augusto Silva
António Alberto Carvalho e Castro.António Augusto Nunes. António bernardo Fonseca Monis
António Caetano de Oliveira.António Eugénio Carvalho e Sá. António Joaquim Ferreira Margarido
António Joaquim Ferreira Pontes. António José Lopes Navarro. António Júlio Fernandes
António Marcelino Durão.António Sérgio Carneiro. Artur Alberto Lopes Cardoso
Artur Pires.Augusto César Hipólito. Baltasar Margarido Pacheco. Bernardino Cândido Gomes
Bernardo Doutel Figueiredo Sarmento.Carlos Augusto Galo.César Augusto Macedo Ribeiro
Constâncio Arnaldo de carvalho.Eduardo Augusto Lopes da Fonseca.
Eduardo Augusto Lopes Pereira.Fernando João campos.Francisco António Correia.
Francisco António marcos.Francisco António Tavares.Francisco Diogo de Sá (pai).
Francisco Diogo de Sá (filho).Francisco justiniano de Castro.Germano Martins Roque dos Santos
João Carlos Noronha.João de Deus Pires.João Dias Galas.Joaquim Rodrigues Ferreira Pontes
José João Alves Hipólito.José Joaquim Sousa cavalheiro.José Manuel de Campos
José Xavier da Fonte Fernandes (padre).Júlio César Madeira.Júlio Henrique de Abreu
Manuel António Morgado.Marcolino Márcio Ferreira Margarido.Maximiano César Gaspar de Lima (padre).Miguel Frederico de Mesquita.Miguel Maria Moita.Ramiro Máximo Guerra.Vasco Ferreira de Leão
STADIUM DE S.PAULO
sexta-feira, 23 de julho de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Ano lectivo 1954/55
segunda-feira, 19 de julho de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
A Desgraçadinha...

No “Romanceiro Popular Português” encontrámos esta “pérola”:
A FILHA DO ARIOGA
A filha do Arioga tinha lindas jóias de ouro
Foi na ponte do Pocinho que ela se deitou ao Douro.
Ela trazia-a fisgada para se matar num instante
Por causa de não a deixarem casar com um caixeiro viajante.
Ela trazia-a fisgada para beber uma dosa
Para deixar a mãe livre deixa a tia criminosa.
Venha daí minha tia comigo a passear
Será a última hora que me vem à acompanhar.
Ao subir da calçadinha três pancadas deu na porta
Venha ver a sua filha que por pouco não está morta.
As cartas do seu amor tràzi-as entre o colete
Eram cartas e retratos e também eram bilhetes.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
terça-feira, 22 de junho de 2010
JOSÉ SARAMAGO
Não queria abusar do espaço do nosso blog e esperei estes 3 ou 4 dias que alguém escrevesse algumas palavras sobre Saramago . Ainda não aconteceu. Também não vou escrever nada. O melhor é ler os seus livros. Todos . E cada um formará então a sua opinião . Fundamentada. Sincera. Sem parti pris . Assim sendo, aqui vos deixo apenas os primeiros parágrafos do seu discurso quando recebeu o prémio Nobel na Academia Sueca. Queiram lê-lo ou relê-lo. Faz bem à alma.
Júlia Ribeiro (Biló)
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"O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. As quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia. Azinhaga de seu nome, na província do Ribatejo.
Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram analfabetos um e outro. No Inverno, quando o frio da noite apertava ao ponto de a água dos cântaros gelar dentro da casa, iam buscar às pocilgas os bácoros mais débeis e levavam-nos para a sua cama. Debaixo das mantas grosseiras, o calor dos humanos livrava os animaizinhos do enregelamento e salvava-os de uma morte certa. Ainda que fossem gente de bom caráter, não era por primores de alma compassiva que os dois velhos assim procediam: o que os preocupava, sem sentimentalismos nem retóricas, era proteger o seu ganha-pão, com a naturalidade de quem, para manter a vida, não aprendeu a pensar mais do que o indispensável.
Ajudei muitas vezes este meu avô Jerónimo nas suas andanças de pastor, cavei muitas vezes a terra do quintal anexo à casa e cortei lenha para o lume, muitas vezes, dando voltas e voltas à grande roda de ferro que acionava a bomba, fiz subir a água do poço comunitário e a transportei ao ombro, muitas vezes, às escondidas dos guardas das searas, fui com a minha avó, também pela madrugada, munidos de ancinho, panal e corda, a recolher nos restolhos a palha solta que depois haveria de servir para a cama do gado. E algumas vezes, em noites quentes de Verão, depois da ceia, meu avô me disse: "José, hoje vamos dormir os dois debaixo da figueira". Havia outras duas figueiras, mas aquela, certamente por ser a maior, por ser a mais antiga, por ser a de sempre, era, para toda as pessoas da casa, a figueira.
Mais ou menos por antonomásia, palavra erudita que só muitos anos depois viria a conhecer e a saber o que significava... No meio da paz noturna, entre os ramos altos da árvore, uma estrela aparecia-me, e depois, lentamente, escondia-se por trás de uma folha, e, olhando eu noutra direção, tal como um rio correndo em silêncio pelo céu côncavo, surgia a claridade opalescente da Via Láctea, o Caminho de Santiago, como ainda lhe chamávamos na aldeia. Enquanto o sono não chegava, a noite povoava-se com as histórias e os casos que o meu avô ia contando: lendas, aparições, assombros, episódios singulares, mortes antigas, zaragatas de pau e pedra, palavras de antepassados, um incansável rumor de memórias que me mantinha desperto, ao mesmo tempo que suavemente me acalentava. Nunca pude saber se ele se calava quando se apercebia de que eu tinha adormecido, ou se continuava a falar para não deixar em meio a resposta à pergunta que invariavelmente lhe fazia nas pausas mais demoradas que ele calculadamente metia no relato: "E depois?". Talvez repetisse as histórias para si próprio, quer fosse para não as esquecer, quer fosse para as enriquecer com peripécias novas.
Naquela idade minha e naquele tempo de nós todos, nem será preciso dizer que eu imaginava que o meu avô Jerónimo era senhor de toda a ciência do mundo. Quando, à primeira luz da manhã, o canto dos pássaros me despertava, ele já não estava ali, tinha saído para o campo com os seus animais, deixando-me a dormir. Então levantava-me, dobrava a manta e, descalço (na aldeia andei sempre descalço até aos 14 anos), ainda com palhas agarradas ao cabelo, passava da parte cultivada do quintal para a outra onde se encontravam as pocilgas, ao lado da casa. Minha avó, já a pé antes do meu avô, punha-me na frente uma grande tigela de café com pedaços de pão e perguntava-me se tinha dormido bem. Se eu lhe contava algum mau sonho nascido das histórias do avô, ela sempre me tranqüilizava: "Não faças caso, em sonhos não há firmeza".
Pensava então que a minha avó, embora fosse também uma mulher muito sábia, não alcançava as alturas do meu avô, esse que, deitado debaixo da figueira, tendo ao lado o neto José, era capaz de pôr o universo em movimento apenas com duas palavras. Foi só muitos anos depois, quando o meu avô já se tinha ido deste mundo e eu era um homem feito, que vim a compreender que a avó, afinal, também acreditava em sonhos. Outra coisa não poderia significar que, estando ela sentada, uma noite, à porta da sua pobre casa, onde então vivia sozinha, a olhar as estrelas maiores e menores por cima da sua cabeça, tivesse dito estas palavras: "O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer". Não disse medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolação da beleza revelada. Estava sentada à porta de uma casa como não creio que tenha havido alguma outra no mundo porque nela viveu gente capaz de dormir com porcos como se fossem os seus próprios filhos, gente que tinha pena de ir-se da vida só porque o mundo era bonito, gente, e este foi o meu avô Jerónimo, pastor e contador de histórias, que, ao pressentir que a morte o vinha buscar, foi despedir-se das árvores do seu quintal, uma por uma, abraçando-se a elas e chorando porque sabia que não as tornaria a ver."
José Saramago
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