quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Eu, não-aluno do Colégio, me confesso

Começo com um título que é uma (pequena) provocação. Apesar de corresponder a uma situação factual, não ter sido aluno do Colégio Campos Monteiro, a ele cheguei na sequência do apelo feito pelo Ramiro Salgado, na sessão de lançamento do livro do António Júlio Andrade, História Política de Torre de Moncorvo 1890-1926, que se verificou na Casa de Trás-os-Montes, em Lisboa, a 4 de Dezembro de 2010. Para ele também contribuiu o pedido da Júlia Ribeiro, feito na mesma sessão, para que os moncorvenses interessados colaborassem com e na revista que tem sido editada pela Associação dos Alunos e Amigos do ex-Colégio Campos Monteiro. Lançado o apelo e feito o convite, aqui fica a resposta. Esperemos que não seja a última e que outros, igualmente «não-alunos do Colégio» (mas talvez amigos…), possam vir a dar o seu contributo. Esperemos, pois.
Ao contrário dos meus irmãos, Camila e Eduardo, dos meus pais, Celeste e Camilo, e do meu avô Francisco, a minha ligação ao colégio Campos Monteiro não passou disso mesmo, das memórias e das vivências de irmãos, pais e avô, ainda que no exercício de funções diferenciadas: uns como alunos, irmãos e mãe, outros como professores, pai e avô. Tirando, talvez, a recordação do meu irmão com uma carecada e de uma fugaz memória de garoto acocorado debaixo da secretária do pai, durante uma aula, nada mais me resta, no que à vivência e à experiência do e no Colégio se referem, do que viver ou fruir as emoções e as memórias alheias, quer de familiares quer de amigos. Mas mais não fosse por isso, pela partilha e pela influência que isso também terá tido na minha vida e personalidade, aqui fica este tributo, que também lhes é endereçado e me honra particularmente.
Mas chega de falar do passado. E ao falar do presente ou do futuro é já na qualidade de «não-aluno do Colégio», qualidade em que me sinto confortável, e em que quero eventualmente prestar a minha colaboração com os projectos e as iniciativas lançadas pela Associação, desde que assumidas com o espírito e o horizonte traçados pelo Ramiro Salgado no seu apelo: abertos, abrangentes e esforçando-se por incorporar o diverso. Não o entender assim – desculpem-me a franqueza – significará o definhar e o fim inevitável do projecto da Associação.
Falando do futuro, precisamente, socorro-me de uma afirmação do António Júlio Andrade, no livro citado acima: «E porque eu sinto que este livro é o começo e não o fim de uma investigação, antecipadamente agradeço as informações e documentos que os meus conterrâneos entenderem por bem trazer à luz do dia para que a história de Torre de Moncorvo seja melhor contada e escrita, para a educação das gerações de moncorvenses que nos seguirem» para balizar ou sugerir algumas pistas de consulta ou de investigação que me parecem vir a ser úteis para este objectivo de «trazer à luz do dia a história de Moncorvo»:
1 – Os arquivos administrativos, designadamente de ministérios, direcções-gerais ou organismos similares;
2 – A diáspora dos naturais, quer nas migrações internas quer para o estrangeiro;
3 – A influência e as transformações no sistema de ensino;
4 – A biografia ou o roteiro de personalidades e/ou eventos;
5 – As práticas e as vivências culturais, populares ou eruditas;
6 – A recolha e sistematização das actividades lúdicas, designadamente dos jogos tradicionais e infantis;
7 – O impacto do cinema ou do teatro;
8 – O impacto e a influência dos designados «direitos de cidadania»: ambiente, responsabilidade social, voluntariado, solidariedade.
Mesmo que muitas destas referências já tenham uma evidência e resultados significativos, não quis deixar de apresentá-los neste contributo. Dar-lhe ou não continuidade ou expressão quantitativa ou qualitativa é uma responsabilidade de todos. Sobretudo – diria eu – dos «não-alunos do Colégio». Vamos lá. Moncorvo agradece.

José Sobrinho
Lisboa, 8 de Dezembro de 2010.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

ENCONTRO


Realizou-se ontem, 4 de Dezº , na Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa, o anunciado encontro dos antigos Alunos e Amigos do nosso velhinho Colégio Campos Monteiro..
O dia estava frio e chuvoso, mais convidava a ficar em casa, à lareira, do que vir por aí fora, calcorreando estradas e depois, em Lisboa, ainda ter de procurar estacionamento. Pois, apesar do tom cinzento e da feia carantonha do tempo, compareceram cerca de uma centena de velhos – e mais novos - colegas e amigos . Estavam não só muitos dos residentes na capital, mas também arrostaram o temporal colegas vindos do Porto, de Moncorvo, de Carviçais, do Felgar, etc. etc. A Amizade é uma Força !
Foi esta Força que proporcionou momentos de intensa alegria pelo reencontro, por vezes, após mais de 50 anos de afastamento e de silêncio . Foi um atropelo de exclamações e perguntas e abraços. Foi um reavivar de memórias daqueles tempos que, embora de inocência, envolviam já sacrifícios e responsabilidades.

Perdoem o quase sacrilégio do que vou dizer : houve um momento em que, se eu soubesse cantar, teria entoado o “Hino à Alegria” que é também o hino à Amizade e à Liberdade : “Todos os homens serão irmãos ...”.

Mas vamos deixar esse momento de grande comoção e passemos ao almoço, também ele composto de manjares dignos dos deuses: alheiras , queijos, presunto, cabrito e vinho da nossa terra ! Não há nada que se lhe compare.
Estou a fazer inveja aos ausentes? É bem feito...
Às 16 horas teve lugar a 2ª parte do encontro: a apresentação do nº especial da nossa Revista “ República e Educação” (umas palavrinhas ditas por mim) e a apresentação do excelente livro do António Júlio Andrade : “História Política de Torre de Moncorvo : 1890-1926 “, a cargo do Rogério Rodrigues, que nos brindou com uma análise de grande rigor e muito saber como, aliás, é seu hábito e a qual foi muito aplaudida.
Várias vozes se ouviram no final deste encontro, manifestando o desejo de outros encontros semelhantes e com maior frequência.
A Direcção da Associação congratula-se pelo êxito de mais esta actividade e agradece a todos os Associados e Amigos a sua presença e o seu apoio.
E uma última, mas não menos importante, palavra de agradecimento vai também para a Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro pelo caloroso acolhimento que muito contribuiu para a concretização deste evento, no qual esteve presente a Sra.Dra.Maria de Lurdes Vaz Marques, membro da Direcção desta instituição.

Júlia Ribeiro, 5.Dezº de 2010

sábado, 9 de outubro de 2010

A NOSSA REVISTA

Alguns excertos(cont.):
“ O Sr. Padre Rebelo foi registando em letra de forma, ao longo da sua vida, tudo o que foi encontrado de interesse em Trás-os-Montes e Alto Douro e mostrava-me esses registos, quase todos eles repletos de anotações, feitas à mão, nas margens do texto. O Sr. Padre Rebelo gostava de partilhar os saberes, não os guardava egoisticamente para si.”
(Padre Rebelo, o homem, o colega e o mestre –António Pimenta de Castro)

“Ao asseverar a sua despolitização, o autor (Campos Monteiro) não fez mais do que reafirmar a defesa de uma sociedade contrária àquela que caracterizou a Primeira República. Não teve, todavia, tempo de vida suficiente que lhe permitisse olhar, criticamente, a ideologia. A que estruturou o chamado Estado Novo”
(Campos Monteiro, uma leitura—J. Ricardo)

“ O livro de Campos Monteiro (Ares da Minha Serra), não sendo de grande qualidade literária, respeitando embora os cânones da época, tem, no entanto, uma virtude única: dá-nos a conhecer não só o linguajar, bem como a topografia e os costumes de Moncorvo nos princípios do século passado”.
(Ares da Minha Serra—Rogério Rodrigues)

“Muito haveria a dizer sobre o impacto da realização das obras na região, mas tal caberá no âmbito de um estudo sociológico aprofundado e que, inclusivamente, poderá trazer à lembrança episódios dignos de registo. Poderá invocar-se o paralelismo com a situação que se poderá observar ao caso da construção do Aproveitamento do Baixo Sabor”
(Pocinho 1976-1983.Memórias de uma barragem—Ramiro Salgado)

“Na realidade esta fase da história das minas de Moncorvo, que já leva cerca de 130 anos, apenas conheceu um fugaz momento, entre 1951 e 1959, de exploração a sério, com alguma sustentabilidade, envolvendo grandes contingentes de pessoal e de máquinas, sem grandes sobressaltos e com expectativas de continuidade. Não durou 10 anos.”
(A odisseia do ferro de Moncorvo até à Ferrominas –Nelson Campos)

“A questão religiosa na I República,  aparte da participação portuguesa na Guerra de 1914, da pneumónica e do revivalismo católico de Fátim, terá sido uma das causas maiores para a queda e falência do generoso ideário do regime republicano”.
(A  questão religiosa e Afonso Costa –Rogério Rodrigues)

“ Em 10 de Dezembro de 1908, o jornalista, panfletário e historiador João Chagas, em memorável carta ao rei D. Manuel aproveitando a ocasião da sua viagem ao Norte, a dada altura pergunta: Quem foi o Buiça? Responde: O Buíça, meu príncipe, foi – a Fatalidade”.
(Buíça, um apelido perigoso—Armando Fernandes)

“À medida que as visitas se foram sucedendo, com meses de intervalo e correspondência trocada, Berta foi desenvolvendo uma relação ambígua, quase protectora em relação a Abel Olímpio. Quando o Dente de Ouro adoeceu, chegou a oferecer-se para lhe pagar o tratamento médico em troca de informações. No entanto, foi só  quando Berta ameaçou contar tudo à mãe de Abel, ainda viva em Torre de Moncorvo e ignorante das malfeitorias do filho que este aceitou confessar”
(O Vilão de Moncorvo---Tiago Rodrigues)

“Em 2010, o projecto colectivo continua de pé, apesar de nos sentirmos  condicionados pela disponibilidade limitada e alguns actores, com vidas profissionais nem sempre conciliáveis  com amor à arte de Telma”
(Moncorvo tem Alma do Ferro—Américo Monteiro)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A NOSSA REVISTA

Clique na imagem para aumentar

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A NOSSA REVISTA

A Associação dos Alunos e Amigos do ex-Colégio Campos Monteiro de Moncorvo vai levar a efeito o lançamento da próxima edição da sua revista  no dia 9 de Outubro pelas 14h-30m na Casa Regional dos Transmontanos e Alto-Durienses do Porto, à Rua de Costa Cabral, nº 1037 no Porto, sendo a apresentação feita pela associada  Maria Júlia Barros Guarda Ribeiro.

Trata-se de um evento na linha de continuidade de idênticas iniciativas que a Associação tem levado a cabo, desta vez com a preciosa intervenção do escritor e jornalista, e também antigo aluno, Rogério Rodrigues, na tarefa de organização da revista, cuja direcção  cabe àquela  nossa Colega.

O conteúdo da revista encerra temas, predominantemente, sobre o Ensino e a República, relativos ao período correspondente ao fim da monarquia e primeiros  anos  da  República na nossa região, havendo, ainda alguns artigos que, embora não tenham uma relação directa com aqueles temas, dizem, igualmente, respeito ao nosso concelho.

No dia 16 de Outubro decorrerá a apresentação da Revista integrada na sessão de lançamento do livro de António Júlio Andrade, na Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo, sob a iniciativa da Câmara Municipal.  


Alguns excertos:

“Sabemos que entre 1911 e 1917 (…) no concelho de Moncorvo havia 33 escolas: 14 do sexo masculino, 12 do sexo feminino e sete escolas mistas. Em algumas freguesias, devido ao número insuficiente de crianças, havia uma escola mista que tinha à frente uma professora. Açoreira, Adeganha,Horta, Junqueira, Peredo dos Castelhanos e Souto da Velha tinham escolas mistas”
(O Ensino público em Torre de Moncorvo na Primeira República—Conceição Salgado)

“António Sérgio foi ministro da Instrução em 1923, durante dois meses e 10 dias (…)Criou o ensino especial para crianças deficientes. Levou o cinema às escolas (cinema educativo). Estabeleceu as bases para a organização de Museus Educativos (hoje seriam chamados Centros de Recursos). Fundou o Instituto Português do Cancro (hoje Instituto Português de Oncologia)”
(Os conceitos de Democracia e de Pedagogia em António Sérgio ---Júlia Ribeiro)

“A função principal da educação é indiscutivelmente a criação de cidadãos submissos, isto é, de cidadãos que aceitem, sem  qualquer contestação., a Autoridade de Salazar. Quando a educação não cumpre essa missão, resta ainda o recurso à violência, à repressão. Educação e repressão foram os dois pilares em que o regime se apoiou”
( O Conceito de Educação no Estado Novo—César Urbino Rodrigues)

“Neste texto, tentarei, em jeito de resenha, dar a conhecer a evolução do ensino em Torre de Moncorvo, desde a criação do Colégio Campos Monteiro até à actualidade,  bem como uma breve apresentação do actual Agrupamento de Escolas de Torre de Moncorvo”. 
 ( O Ensino em Torre de Moncorvo de 1936 a 2010—Alberto Areosa)

“Pessoa amiga e ainda ‘meio família’ que visitava a casa dos meus pais, residente em Moncorvo mas com propriedades em Maçores, insistia para que o menino que eu era, com os seus nove anitos, fosse estudar para a vila, ficando albergado em sua casa na rua da Misericórdia. Decisão difícil para os meus pais, pois era filho único”
(Para lá do Roboredo…--Alípio Tomé Pinto)

“Dizer adeus a Moncorvo não foi fácil, nem para mim, nem para a minha mulher, nem para os meus filhos ( dois, na altura). Já tínhamos, todos nós, deitado raízes no chão criançoso dessa terra acolhedora.
Pela minha parte, vivi ali três nãos que me tinham transmitido experiências novas e sobretudo novos amigos “
(A minha ida à guerra—A.M. Pires Cabral)

“Antítese do perfil típico do funcionário público, sendo um homem de relacionamento fácil, rapidamente se inseriu no meio, fazendo amizades à esquerda e à direita (literalmente), tem, por gosto ou necessidade, multiplicado as suas actividades: Chefe de Secretaria, Professor no Colégio Campos Monteiro ou dedicando parte do seu tempo à Livraria – Selecta de seu nome – a primeira de Torre de Moncorvo”
(Pai e Amigo Leandro—João Mário)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Quadras dedicadas a antigos alunos do Colégio Campos Monteiro.(III)

XIII


A Lela (12) era um primor

Quando a Lucília (13) imitava,

Fazia-o com tal rigor

Que qualquer um acreditava.

XIV

A Etelvina (14) levava a palma

De “bisbilhoteira” debutou,

Notável na arte de Talma

Pena que não continuou.

XV

Botelho também António (15)

Do tiro aos pombos perito,

Com “Flauber” que demónio

Mata o pombo mais aflito.

XVI

Qual D. Quixote atrevido (16)

Com espada de cavaleiro,

Defende a mana aguerrido

Pobre do Rocha barbeiro.

XVII

Doutora Maria Pêra

Na História imperava,

E ao Armando da cera (17)

Por “ Tu Matos” chamava.

XVIII

O Alves também Madeira(18)

Bom rapaz tudo calava,

As orelhas à maneira

Que ninguém a mal levava.

XIX

Enquanto as abanava

Era tal a ventania,

Que a Nita(19) enregelava

Apesar da valentia.

XX

Em viagem p´ra Bragança

Onde fomos p’ra cantar,

Antes das canções festança

De quem queria merendar.

XXI

Um pássaro morto tocou (20)

Ao Dr. Sobrinho por sina,

Quase que se engasgou

Maldade que o Zé assina.

XXII

A Carmen Pires foi madrinha

Da tuna dos estudantes,(21)

Foi um desbaste na vinha

E bebedeiras delirantes.

XXIII

Serão lapsos de memória

As tranças que então usavas? (22) .

Ou fazem parte da história

E o laço que as encimava.

XXIV

Boa aluna sei que eras

E do Inglês gostaste,

Não ficaste por quimeras

O teu Curso terminaste.

XXV

Rumaste para Macau

A pensar no Rio Douro,(23)

E onde havia calhau

Transformaste-o em tesouro.

XXVI

De face harmoniosa(24)

Que recordo com saudade,

Que postura tão airosa

Lembro a Raquel Sambade.

XXVII

Da Amélia Peixe vos falo

Na Câmara Municipal,

De minhota um regalo!

A folgar ao Carnaval. (25)


NOTAS EXPLICATIVAS

(12) Maria Amélia Morgado Lima filha do Dr. Lima

(13) Dra. Lucília Lopes.

(14) Etelvina Botelho fez um grande sucesso na peça “A Bisbilhoteira” que representámos no Cine Teatro da nossa Terra.

(15) O António Moritze Botelho num pombal perto da quinta do Marmeleiro fez tiro ao alvo, eu que o acompanhava, não matei qualquer pombo, mas levei por tabela do meu pai.

(16) O António face a uma situação de desacordo entre a irmã, Etelvina Botelho, e o Rocha vá de entrar de espada em riste na barbearia deste obriga-o a correr à sua frente, Rua do Cano abaixo, hoje Visconde de Vila Maior. O pai, Dr. Botelho, sai da relojoaria do Manuel relojoeiro e brinda o Rocha com uns sopapos, os quais lhe causariam alguns dissabores.

(17) Recorda-se o Armando de Matos de Felgueiras, na época dos cerieiros.

(18) Armando Madeira Alves de Freixo de Espada à Cinta.

(19) A Nita - Ana Sara Brito é chamada a colação.
(20) O Coro do Colégio foi actuar num Concurso à sede de distrito, quando parámos para merendar, o José Maria Fernandes juntou ao lanche do Dr. Sobrinho um pássaro morto, o que muito irritou o nosso professor.
(21) A Tuna de Coimbra actuou em Moncorvo, com Sarau de Gala na Câmara Municipal o Fernando Chiote (hoje médico) trasmontano de Bragança, aboletou em minha casa, foi tal a piela que teve de ser levado de padiola. Os meus pais cederam o quarto em que dormiam no primeiro andar para instalar o Chiote. O Fernando com os vapores do álcool a toldarem- - lhe o raciocínio resolve vestir o casaco da minha mãe saindo para a Rua 1º de Dezembro e tentou dirigir-se para a Praça Francisco Meireles, o que eu consegui evitar. O caricato da situação é que no dia seguinte a minha inefável Avó Laudemira, que dormia no rés do chão, a primeira coisa que me disse, no dia a seguir, foi - Olha que o estudante que dormiu cá em casa tem um pijama quase igual ao casaco da tua mãe.
(22) As duas quadras que se seguem são dedicadas à Maria Júlia Ferreira Guarda Ribeiro.
(23) Ao Manuel Pinto e à sua meritória obra na de valorização do património que os pais lhe deixaram no Vale do Sabor.
(24) Para Raquel de Araújo Sambade, cuja simpatia e simplicidade era de todos reconhecida.
(25) Não sei se te recordas de um baile que houve na Câmara Municipal, qual seria a nossa idade? … dez, onze anos? Vá lá saber-se ? Chego a espantar-me destas reminiscências !!!


As quadras que vierem a ser produzidas, a partir de agora terão a numeração que podereis constatar.
A quadra seguinte dedicada ao Dr. Ramiro Salgado, que apresento sem numeração será a sempre a última, uma vez que, como povo diz, “ os últimos serão os primeiros”.

(Numeração a ser dada pelo Centro de Memória, uma vez que estou certo de que mais quadras virão à estampa).

Doutor Ramiro Salgado
Que ensinaste gerações,
Serás sempre lembrado
Conquistaste corações.

Por agora, no que toca a quadras, e para relembrar , deixo uma dedicada pela rapaziada mais antiga à Dra.Lucília Lopes e que rezava assim:

Caiam raios sem fim
Chuva a cântaros e potes,
Acaba a aula de Ciências
Da chata Lucília Lopes.

Ela que me perdoe … já perdoou.

A dificuldade de escrever uma quadra que relatasse uma situação criada pelo Cassiano Meireles quando da nossa viagem para fazermos a admissão ao Liceu em Bragança, leva-me a transcrevê-la, pelo pitoresco de que se reveste.
O José Cassinano Meireles era afilhado de S. José e foi à Igreja Matriz despedir-se do padrinho e como deixava a mãe sozinha em Moncorvo, ajoelhou-se aos pés do santo e a “conversa” foi do seguinte teor:
- Oh! Padrinho eu vou a Bragança fazer a admissão ao Liceu e tu toma-me cá conta desta “cagalheta”, referindo-se à mãe. É preciso deixar claro que a expressão não tinha qualquer sentido pejorativo. Nunca ficámos a saber o que o Santo lhe terá respondido.
Ficam tantos por recordar, no entanto gostaria de verter para o papel os nomes dos seguintes antigos colegas: os seis irmãos Salgado, a Benilde, o Carlos Canhoto, os dois João Lima, a Fernanda Fernandes, o Emílio Guerra, a Fernanda Brito, o Octávio Morgado (Penedono), a Olinda Paixão, o Quimcá (Joaquim Carlos Simões), a Zelda Simões, o Néné, os José e Heitor Serra, o Moutinho de Foz Côa, o Mário Afonso Pinto, o José Luís Baptista, o Aurélio Ferreira, o Afonso Dias, o Francisco Mateus, o Eurico Madeira, o Emídio Poiares, as irmãs Síria, Susana e Lénita, a Maria Amélia Peixe e tantos outros que seria muito difícil ou quase impossível enumerar (que me desculpem aqueles que não referi, mas foi sem qualquer intenção).
A maioria destas quadras foram alinhavadas em casa da Maria Lucinda Antunes na Quinta da Marinha em Cascais, numa inesquecível reunião de Moncorvenses realizada no dia 3 de Junho de 2002.

Um grande abraço para todos os antigos alunos, do nosso Colégio de sempre.
Saudações “Monteirianas”,
Do Manuel Serapicos

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

TRECHO DO SABOR

Click na imagem para aumentar

PINTURA DA NOSSA COLEGA BENILDE SALGADO

domingo, 5 de setembro de 2010

Quadras dedicadas a antigos alunos do Colégio Campos Monteiro.(II)

V
A Lucinda tão ladina (1)
Foi nossa anfitriã,
De perfil imita a Gina (2)
Lábios cor de romã
VI
Aquela de exploradores(3)
Atacando o Reboredo,
Quase fomos perdedores
Que o diga o Zé Alfredo.
 VII
O Ramiro prazenteiro (4) 
P’rás festas organizar,
Sempre em lugar primeiro
Com a malta a festejar.
VIII
Por Maria da Conceição (5)
Ninguém sabe quem é,
Nunca perde a animação
Falo-vos da Bébé.
IX
Abílio que inspiração (6)
P’ro flautim afinado, 
Tinha grande vocação
Pela Ulema foi caçado.(7)
X
Na aula de Português 
Célebres os  ‘nés’  ficaram, (8)
 A contagem era rés vés
Ao Fevereiro apanharam.
XI
De Maçores partiu um dia  
Foi de rumo à Capital,
Alípio … (9) tal foi a porfia
Que chegaste a General.   

NOTAS EXPLICATIVAS

(1) Maria Lucinda Antunes
(2)“Gina Lolobrígida” celebérrima  artista italiana     
(3) Dois dos intervenientes foram o Zé Alfredo e  eu. O Zé num dia de neve, no Reboredo foi    ficando para trás, só fiquei eu para o trazer às costas. O regresso foi muito difícil.  O Zé introduziu as calças dentro das botas de cano alto e quase lhe gangrenavam os dedos dos pés.
 (4) Ramiro d’ Almada Guerra      
(5)  Maria da Conceição Malheiros de Sousa    
 (6)  Abílio do Nascimento Martins Dengucho
  (7) Ulema  Brito.
 (8)  Os protagonistas foram o Dr. Sobrinho e o Manuel Fevereiro. O Dr. Sobrinho    costumava  dizer com frequência  ‘né’  ou  ‘né isso’ . Um dia foi decretada a contagem dos ‘nés’  pelo pessoal. As moças procederam ao registo e quando chegasse à quadragésima vez, todos nos levantaríamos e sentaríamos de repente. O Manuel Fernando Fevereiro não foi lesto a sentar-se e foi apanhado de pé Não me lembro se houve consequências.  
(9)  Alípio Tomé Pinto   
  
Um grande abraço para todos os antigos alunos, do nosso Colégio de sempre.

Saudações “Monteirianas”,

Do Manuel Serapicos



sábado, 28 de agosto de 2010

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

UMA BRINCADEIRA DE VERÃO

Da colega Arinda Andrés,aluna do Colégio , em 63:
ESTA É A INTRODUÇÃO, QUE É UMA EXPLICAÇÃO, MUITO ABREVIADA, PARA PREPARAR  A EUFONIA QUE A SEGUIR SE APRESENTA; É UMA COISA LEVE E DIVERTIDA, ESTAMOS EM FÉRIAS.
OS SONS ANDAM NO AR
 À ESPERA DE QUEM OS AGARRE,
VOU GUARDÁ-LOS NAS PALAVRAS
À PROCURA DA MÚSICA DOS MEUS SENTIDOS,
 São as vuvuzelas…!!!
 vuvuzelantes…
Breves,  esfuziantes, as vuvuzelas
elevam-se em assobiadelas ,
verdes, azuis, amarelas
belas, as vuvuzelinhas,
vuvuzelam ,  azulinhas,
picadelas de abelhas tremeluzentes
 em selhas fosforescentes
sopro de cor, ensurdecedor
às vezes magnetizantes, esfuziantes
vuvuzelam  ziguezaguantes
selhas de abelhas
melros electrizantes a esgazear
vozeirões vuvuzelantes em bambinelas
sequelas  pelo ar a vuvuzelar
as vuvuzelas esfuziadelas de fel
em vozeirões de cinzel, mel
 de abelhas  em selhas  amarelas.
 pimpinelas, as vuvuzelas!
a ziguezaguar pelo ar
em sopro ensurdecedor.
vuvuzelantes, as vuvuzelas vuvuzelam
em vuvuzelinhas de mel
electrizantes , esfuziantes,

Arinda Andrés

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Quadras dedicadas a antigos alunos do Colégio Campos Monteiro. (1)


As quadras que vos deixo, nasceram de supetão, reminiscências que só vinculam o seu autor, que desde já faz o seu acto de contrição, se algum dos retratados for indevidamente recordado, mas quase posso jurar que não. Estas quadras foram escritas mais de cinquenta anos depois das memórias a que se referem, perdoem qualquer pequena imprecisão.
I
Colégio Campos Monteiro
Oh! tempo d’ adolescência,
Foste facho e luzeiro
Memórias de irreverência.
II
Os que vier a retratar
Não me vão levar a mal,
Quero-vos recordar
De maneira fraternal.
III
A Carmo Alves e  Lili                              Maria Carmo Alves filha do Inspector Alcino 
Em cochichos tão constantes,             Alves, nosso professor de Desenho e Lili como 
Que infindáveis ri, que ri…                  era conhecida a colega Maria Elisa Vaz Pinto.
Tornavam-se irritantes.
IV
Qui manque à la classe?                       France Vasconcelos que tinha uma dificuldade
Diz o Urgel sem dar “chance”               no andar. Nunca mais vi esta colega nem a sua
P’ra que a malta registasse                  irmã Jovita. António Urgel d’Almada Guerra e
Qui manque c’est la France                  claro … a aula era de francês, prof. Dr. Lima.

A maioria destas quadras foram alinhavadas em casa da Maria Lucinda Antunes na Quinta da Marinha em Cascais, numa inesquecível reunião de Moncorvenses realizada no dia 3 de Junho de 2002. 

Um grande abraço para todos os antigos alunos, do nosso Colégio de sempre.
Saudações “Monteirianas”,
Do Manuel Serapicos
Nota : Pedimos desculpa ao Manuel  pelos erros da publicação das suas quadras e anotações.
 Envia novamente, se fazes  favor ,as outras quadras separadas das anotações.

NASCIDOS NO CENTRO DE MEMÓRIA

Os manos Salgado :São, Paulo, Ramiro, Armando .
Os manos Brito: Lelo , Laila, Fernanda, Julieta.
Nascidos no edifício que é hoje o Centro de Memória. Todos frequentaram o Colégio, excepto a Laila ,que faleceu em criança.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

CONVITE

Click na imagem para aumentar
Para saber mais: http://www.torredemoncorvo.pt/centro-de-memoria-recebe-exposic-o-de-pintura-de-dario-alves


http://darioaugustoalves.blogspot.com/



segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A Nossa Colega Lucinda - II

 
O que se segue é parte do texto que a colega Júlia escreveu sobre a colega Lucinda num comentário:

Apresento-vos a minha amiga Maria Lucinda Antunes, também cozinheira de alto gabarito, como podem ver pela capa do seu livro. (Um encanto por fora e muito mais por dentro).
Estranharam o nome da autora? É que a Maria Lucinda adoptou para sempre o nome do pai dos seus filhos .
Um grande abraço, Mulher lutadora.
Júlia

 

domingo, 22 de agosto de 2010